terça-feira, 16 de junho de 2009

[Cultura Pop e Política]Prison Break

Já tem um tempo que assisti ao final da quarta e última temporada de Prison Break, não vou analisar a série em si e sim os apectos políticos que apareceram nas mesma.

Duas questões perpassaram as quatro temporadas. A primeira foi a questão da corrupção seja dos carcereiros, seja de políciais do FBI e politicos, enfim de setores importantes da sociedade americada, sobretudo aqueles mais respeitados. De forma intencional ou não acabam passando idéia de que a corrupção é inerente ao sistema, idéia essa superior ao receituário democrata (lembre-se que estou falando dos EUA) que trata a corrupção sob aspecto moral, uma idéia bem de esquerda para uma série da Fox.

A segunda questão presente em toda a série é a relação promíscua das multinacionais com o governo personificada na companhia que é uma organização que define os rumos de vários países, incluindo os EUA, por meio de pessoas nos principais postos políticos e econômicos.

A primeira temporada foi a mais politizada mesmo porque foi a mais despretenciosa pois não se imaginava que a série seria o sucesso mundial que foi, daí foi escrita de forma mais politizada, quase panfletária. Panfletária por fazer uma clara campanha contra a pena de morte, pois mesmo antes de saber toda a história por trás da condenação de Lincoln o espectador já era inclinado a ser contra a condenação, mesmo que essa inclinação resultasse da dedicação que o irmão de Lincoln, Michael, tinha para o resgatar da cadeia e a de seus advogados para revogar a condenação do mesmo à morte.

Paralelo a essa vertente da série (a luta pela vida de Lincoln) existia toda uma trama política que começou a desvendar o que seria a tal da Companhia. Numa referência clara aos republicanos, a série mostra uma série de políticos corruptos e sem escrupulos que não só mantem a pena de Lincoln, mas defendem o sistema de pena de morte e ainda fazem outras "maracutaias".Essa vertente é claramente antirepublicana ou democrata, como quiserem.

Outro fator político que vai se revelando ao longo das duas primeiras temporadas é a questão da tortura por parte do exército americano, onde uma das personagens coadjuvantes, o C-Note, foi expulso do exército por descobrir e se inconformar com as torturas. Ainda no tema militar, existe o respeito que as pessoas têm pelo T-bag na segunda temporada pelo fato do mesmo estar sem uma das mãos dizendo ser um "veterano" do Afeganistão, as pessoas em geral se compadecem e respeitam, não como um herói e sim como uma vítima.

As questões políticas foram mais presentes de fato na primeira temporada, a partir da segunda a série foi ficando "normal" mesmo na terceira e seu jeito de carandiru não conseguiu ter o impacto e a politização que mostrou no início, talvez pela greve dos roteirista que encolheu a temporada e a fez ir direto ao assunto.

No geral, o que tiramos de político de Prison Break é a campanha antirepublicana, a coragem de insinuar que grandes corporações se articulam políticamente em qualquer lugar, sobretudo nos EUA, para ter seus interesses impostos e mostrar a corrupção como algo sistêmico, não só de governos e empresas, mas dos dois, de uma relação promíscua que tem foi claramente inspirada na realidade.

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