Chega o final de ano e a temporada do futebol brasileiro acaba deixando o noticiário esportivo num marasmo só, nada de jogos e só especulações de quem chega e quem sai dos clubes além da preparação dos clubes para a temporada vindoura.
Em meio a tudo isso aparece o caso de dopping do jogador do Botafogo Jobson que nas entrelinhas revela três debates que a mídia, sobretudo a esportiva, faz questão de esconder: O preconceito, as drogas e o autoritarismo no futebol.
Jobson é paraense, negro e não joga em um time abençoado pela mídia como Flamengo e Corinthians. Diante desse quadro ele teve sua vida devassada e está com a carreira ameaçada pelo simples fato de ter usado cocaína, simples porque quando algo semelhando ou igual aconteceu com Giba, Fábio Assunção e Casa Grande o motivo é que eles estavam doentes, foi um desvio de conduta mas o “Brasil” os apoiava... mas com o Jobson poderá ser o banimento do futebol sem que mídia sequer interceda por ele e busque entender os seus motivos e compreender seu ato, simplesmente o entregaram à justiça e esqueceram.
Outras questão que a mídia poderia abordar, como já o fez em outros casos, é o uso de drogas cada vez mais comuns entre os jovens independente da faixa etária e da classe social mas o seu silêncio nas entrelinhas ratifica um preconceito histórico e ainda atual de que um jovem de origem pobre e negro que usa droga é bandido, porém se fosse um de classe média alta ou até mesmo burguês mereceria um "tratamento adequado" em uma clínica. O pior nesse tipo de história é que não saímos desses extremos do usuário ou ser bandido ou ser doente e não se encara a questão do uso de drogas ilícitas como um hábito que é tão nocivo e comum quanto beber álcool mas que hoje é criminalizado e não se explica bem o porquê.
Por fim, fica claro o autoritarismo no futebol. Primeiro porque quem usa cocaína ou maconha não o faz para melhorar seu desempenho em campo e sim por diversão e a FIFA/CBF quer regular e dizer a um adulto o que ele pode ou não pode fazer para se divertir, independente disso ser legal ou não pois no caso da ilegalidade quem deve punir e julgar é a justiça comum e não a justiça desportiva, pois ele não usou de má fé para obter vantagem no jogo. Tal autoritarismo não se resume aos casos de dopping, mas a todos os aspectos do comportamento de um jogador em campo, por exemplo, se um jogador reclamar de um falta violenta ele pode receber cartão amarelo e até ser expulso caso já tenha um cartão, ou seja, o cara deve apanhar, ser machucado e ficar calado.
E onde chagamos com isso tudo?? Não muito longe, pois outros “Jobson´s” irão surgir e o futebol enquanto uma atividade super lucrativa irá continuar cada vez mais autoritário. Porém esses caso podem e devem gerar debates e fazer com que os torcedores comecem a debater questões que a mídia, incluindo a esportiva, não irão debater e para que esse debate possa acontecer os blogs e fóruns de futebol devem agitar tal debate.
3 dias atrás






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