segunda-feira, 11 de julho de 2011

O mal resultado da seleção feminina de futebol foi reflexo do machismo da CBF

A explicação para a derrota da seleção brasileira no último domingo por parte do técnico Kleiton Lima (quem??) foi a melhor condição física da seleção norte-americana, essa de fato inegável. Mas quem conhece um pouco de futebol sabe que esse fator raramente é decisivo em confrontos de alto nível como é Brasil e Estados Unidos no futebol feminino.

Se, na minha opinião, não foi a diferença física então o que foi o determinante para mais uma derrota da nossa seleção?? Estrutura, muitos dirão, mas ainda não é isso, mesmo esse fator sendo importante, pra mim a resposta que consegue englobar os fatores mencionados acima, e mais outros, e que com certeza tem sido fundamental para o insucesso das mulheres no futebol é o machismo.


O primeiro sinal de machismo é o tratamento dado ao futebol feminino, que por não ter apelo comercial tem recebido uma estrutura e uma preparação semi-amadora que culmina na seleção mas começa no fato da CBF sequer se esforçar para construir um campeonato brasileiro de futebol feminino, que poderia muito bem ser vinculado ao campeonato masculino que o subsidiaria neste início de pouco investimento.

A prova disso é que na última copa do Brasil de futebol feminino não houve um representante de clube da séria A do campeonato brasileiro masculino e no campeonato carioca deste ano dos 4 grandes apenas o Vasco da Gama participou.

Neste cenário de não haver um campeonato competitivo e que atraia a atenção do público o futebol feminino no Brasil sobrevive apenas de guerreiras abnegadas que, na sua maioria, sequer tem estabilidade profissional, jogando um torneio aqui e outro acolá.

Outro fato importante que ilustra tal machismo é a escolha de técnicos que não figuram dentre os principais. O técnico é fator decisivo na montagem, treinamento e condução de um time, mas enquanto no masculino existe uma comoção nacional em torno do técnico no feminino coloca-se um desconhecido.

Será que um técnico experiente, com títulos na bagagem, deixaria a jogadora que fez um gol contra bater um penalty? Será que deixaria o time até a prorrogação fazendo apenas uma substituição? Acho bem difícil.

Ainda que a questão econômica perpasse pela falta de investimento e prioridade no futebol feminino brasileiro, esse cenário é machista por considerar o futebol praticado por mulheres como inferior em relação ao masculino, pois, dentre outras coisas, nunca um técnico que faz um bom trabalho num grande clube do Brasil foi sequer cogitado a assumir a seleção feminina.
Assim o futebol feminino continua desorganizado e o seu espaço entre os(as) torcedores(as) ainda é pequeno, pois a lógica que prevalece é que futebol feminino é só coadjuvante para ser lembrado apenas em copa do mundo e jogo olímpicos.

Por fim, antes de colocar qualquer rótulo de perdedoras nessas jogadoras temos que pensar em tudo que elas passam e de que ainda assim são competitivas pois perder para o time norte-americano não é nenhum demérito pois elas formam um bom time.

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